Todas as culturas criaram formas musicais para acompanhar seus
trabalhos, ritos e festas. Os folcloristas acreditam que tais canções
sejam fruto de criações individuais, mesmo que depois apresentem
alterações introduzidas por seus usuários.
A música folclórica é geralmente monofônica (executada
por uma só voz), embora em algumas partes do mundo sejam comuns as canções
para duas ou mais vozes. Cumpre distinguir essa música folclórica
da que se denomina popular ou ligeira, composta por profissionais para enormes
platéias, e que é um fenômeno que data somente do século
XIX.
Existe um grande número de cantigas e elas encantam jovens e idosos geração
após geração.
Atirei o pau no gato-to
Mas o gato-to não morreu-reu-reu
Dona Chica-ca admirou-se-se
Do berro, do berro que o gato deu:
Miau!
A CANOA VIROU
A canoa virou,
Por deixá-la virar,
Foi por causa do(a) (nome de pessoa)
Que não soube remar.
Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar,
Tirava o(a) (nome da pessoa)
Do fundo do mar.
Como brincar: As crianças giram na roda cantando a primeira
quadra, na qual é mencionado o nome de uma delas. Esta, deixando as mãos
das colegas, faz meia volta, dá-lhes as mãos e, de costas para
o centro da roda, continua a caminhar. Novamente é cantada a primeira
quadra, sendo escolhida a criança que estiver à esquerda daquela
que virou. Quando todas estiverem de costas para o centro da roda, passa a ser
cantada a quadra seguinte e, uma a uma, as crianças voltam à posição
inicial.
Cai, cai, balão! Cai, cai, balão!
Na rua do sabão.
Não cai, não! Não cai, não! Não cai, não!
Cai aqui na minha mão!
O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada;
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada.
O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar;
O cravo teve um desmaio,
A rosa pôs-se a chorar.
As festas populares estão ligadas
à religião e ao trabalho do povo. A cultura brasileira recebeu
a contribuição de diversos povos, o que levou nossas festas populares
a terem identidade própria, pois resultaram da mistura de diferentes
histórias e costumes.Em junho, o Brasil ganha arraiais coloridos. Escolas,
ruas, praças e clubes são decorados com bandeirinhas, barracas
e fogueiras para as festas dedicadas a São João, Santo Antônio
e São Pedro. É hora de dançar quadrilha, participar de
jogos e brincadeiras. Muitas são as delícias para saborear: pipoca,
pinhão, pé-de-moleque, canjica e paçoca de amendoim. Os
mais corajosos enfrentam o pau-de-sebo, um tronco alto e escorregadio, difícil
de subir. Quem quer namorar faz simpatias e pedidos para Santo Antônio,
o santo casamenteiro.
A Folia de Reis é uma das várias comemorações de
caráter religioso que se repetem há séculos em nosso país.
Ela é realizada entre a época do Natal e o Dia de Reis, em 6 d
e janeiro. Grupos de cantadores e músicos percorrem as ruas de pequenas
cidades como Parati, no Rio de Janeiro, e Sabará, em Minas Gerais, entoando
cânticos bíblicos que relembram a viagem dos três Reis Magos
que foram a Belém dar boas-vindas ao Menino Jesus.
De origem portuguesa e com características diferenciadas em cada região
do Brasil, a Festa do Divino é composta de missas, novenas, procissões
e shows com fogos de artifícios. Em cidades do Maranhão, bonecos
gigantes divertem as crianças, enquanto grupos de cantadores visitam
as casas dos fiéis recolhendo ofertas e donativos para a grande festa
de Pentecostes. Em Piracicaba, interior de São Paulo, as comemorações
ocorrem em julho, às margens do Rio Piracicaba, reunindo milhares de
pessoas.
Em Belém do Pará acontece anualmente em outubro uma grande festa
religiosa que chega a reunir cerca de 1 milhão de pessoas: o Círio
de Nazaré. A multidão lota as ruas da cidade para acompanhar a
procissão, que dura até cinco horas, em homenagem a Nossa Senhora
de Nazaré. Os romeiros que vão pagar promessas pela cura de doenças,
por exemplo, andam descalços e seguram a corda de isolamento que protege
a santa. No final, os participantes vestem roupas novas e se alimentam dos pratos
típicos da região, como o pato no tucupi, o tacacá e o
arroz com pequi.
Conheça agora algumas das nossas festas populares:
O maracatu nasceu entre os negros de Recife, da mistura do culto católico à Nossa Senhora com a devoção aos orixás das religiões africanas.
Atualmente, muitas das características sagradas e religiosas do folguedo desapareceram, e o maracatu é representado principalmente durante o carnaval.
A rainha Ginga tem nas mãos uma ou duas bonecas, chamadas calungas, que detêm os segredos e mistérios da festa. No carnaval, o maracatu desfila com a rainha e as damas de honra, que são acompanhadas pelo rei, chamado Dom Henrique, por seus cavaleiros e pelo rei Tupi.
CARNAVAL
O carnaval é a maior festa popular do Brasil. Adultos e crianças
caem na folia, com fantasias e máscaras, nos dias dedicados à
diversão e às brincadeiras. O feriado oficial é na terça-feira
que antecede a Quarta-Feira de Cinzas.
Em Portugal, ele foi chamado de entrudo, pois ocorria antes da entrada na Quaresma.
Personagens característicos e tradicionais do carnaval:
MOMO
Segundo a mitologia greco-romana, Momo era o filho do sono e da noite e sua
função era cuidar das ações dos deuses e dos homens.
De acordo com a história da Arte, era o ator que representava nas peças
populares do teatro. Originou-se dos bobos encarregados de divertir os senhores
portugueses com mímicas e farsas populares.
ARLEQUIM
Personagem da antiga comédia italiana, que tinha a função
de divertir o público com piadas nos intervalos das apresentações.
Amante de Colombina
COLOMBINA
Companheira de Pierrô. Namoradeira, alegre, bela, esperta. Vestia-se de
seda ou cetim branco e usava saia curta e bonezinho.
PIERRÔ
Usava calça e casaco bem largos, este de grande gola franzida e enfeitado
com pompons. Pierrô é o personagem ingênuo e sentimental
do carnaval.
FESTAS JUNINAS
As festas juninas são comemoradas no mês de junho e são feitas em homenagem a três santos da Igreja Católica:
Santo Antônio 13 de junho
São João 24 de junho
São Pedro 29 de junho
Parece que a tradição de fazer grandes festas no mês de junho existe desde a época em que nossos antepassados deixaram de viver apenas como caçadores e passaram a se dedicar à agricultura.
Na Europa, depois de um inverno sempre longo, os primeiros sinais do verão e da volta do calor aparecem no mês de junho e, nessa época, começaram a ser feitas enormes festas, com grandes fogueiras, muita comida, bebida, cantos e danças, para agradecer aos céus pela chegada do verão e para pedir uma boa colheita.
Com o tempo, essas festas começaram a ter padroeiros e, finalmente, incorporaram os santos da Igreja Católica. A tradição de homenagear os santos católicos em grandes festas foi trazida ao Brasil pelos portugueses e, depois, por outros imigrantes, principalmente os italianos.
Santo Antônio - 13 de junho
Santo Antônio, que se chamava Fernando de Bulhões antes de se tornar
membro da Ordem de São Francisco, nasceu em Lisboa, em 15 de agosto de
1195, e morreu perto da cidade italiana de Pádua em 13 de junho de 1231.
No Brasil, é um dos santos mais populares e considerado o santo casamenteiro, além de ser o padroeiro de quase 230 cidades.
São João - 24 de junho
São João Batista recebeu esse nome porque batizava as pessoas
no Rio Jordão, poucos anos antes do ano zero da Era Cristã. Foi
ele que, segundo a tradição católica relatada na Bíblia,
batizou Jesus, cuja chegada ele profetizava com paixão. No ano de 28,
a sua cabeça foi cortada e servida numa bandeja a Salomé, que
havia pedido isso ao ditador Herodes.
Existe uma tradição popular que diz que São João passa o dia inteiro de sua festa 24 de junho dormindo e, se acordasse, não resistiria ao clarão das fogueiras e desceria do céu para festejar também, o que provocaria a destruição do mundo pelo fogo.
São Pedro - 29 de junho
São Pedro foi o apóstolo a quem Jesus entregou as chaves do reino
dos céus e o escolhido para construir a Igreja Cristã. Seu nome
era Simão e ele recebeu de Jesus o nome Pedro, que significa "rocha".
Embora não se saiba com certeza, é provável que ele tenha
morrido crucificado em Roma, na época do imperador Nero, por volta do
ano 64.
Em 1950, o túmulo de São Pedro foi encontrado embaixo
da enorme basílica que leva seu nome, no Vaticano.